Lua

Tu Lua cheia Lua grande

Que trazes na luz

Todos o beijos que dou

Na sombra dos teus caminhos

Tu Lua cheia Lua grande

Que guardas à noite

Todos os sonhos do mundo

Para dares ao Sol

E ele à luz fazer brilhar

Tu Lua cheia Lua grande

Por ti anseio e choro

Descubro e escondo

Nos mesmo dias dos teus dias

Tu Lua cheia Lua grande

A ti falo quando escrevo

A ti chamo quando sonho

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Sonho-te

Todos os dias te sonho de forma diferente

Uns dias sonho-te em céu

E a tua imensidão completa o meu olhar

Despertas o dia

Percorres as horas do meu pensamento

E até adormecer

Cobres-me com o teu abraço

Outros dias

Sonho-te no tempo que passa quando paro

Vejo-te nos pequenos sinais que me param e me permitem avançar

Vejo-te nos que passam sem me olhar

E nos que passam sem olhar a nada

Vejo-te nos que falam, nos que me falam e nos que me dizem alguma coisa

Outros dias

Sonho-te

Simplesmente sonho-te

E não quero acordar

Não quero

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A tua boca

O suave ondulado da tua boca

Meneia as palavras numa dança sensual

Contorna as letras

Esconde a língua e desenha em sombra os dentes

Parada mostra-se quente

Abre de novo lentamente

Num suave sopro sussurra um aroma só teu

Sorris

Desenhas de novo um beijo

Ao olhar de quem ouve são palavras

Em cada palavra eu sinto um beijo

E beijo

E pergunto qualquer coisa para vê-la dançar

E no engano do interesse

Vejo-te de novo

A língua que beija os dentes

Os dentes que se iluminam no dia

E a boca de novo a cobrir as palavras

E beijas

Tantas e tantas vezes e nunca me canso

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Enquanto o dia passa

Os poemas não são de quem escreve

Nem são tão pouco de quem lê

Os poemas são das palavras

E de quem os dita aos dedos

E quem dita é o pensamento

O mesmo que te traz ao meu olhar

E que te deita na memória do sonho

Pudesse ser o esquecimento a comandar o poema

Já não te escrevia

Nem sentia o teu olhar a corar-me a pele

Já não te sonhava nem sentia

Enquanto o dia passa

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Segunda-feira

Não vejo os sonhos em que te beijo

Nem sei dos sabores onde te sinto

Sei que te quero em mim

Que as horas são curtas para te ver

E longas quando te espero

Sei que os olhos se beijam muito mais que as bocas se podem tocar

Que as mãos se tentam chegar

E que apenas o corpo não chega

Para onde me fazes viajar

Não quero o sonho

Quero tocar o teu olhar com as palavras

As mãos com a minha boca

E a vida com todos os meus minutos

Quero mergulhar na tua pele

E acordar no teu sonho de madrugada

Quero ouvir-te e sentir-te

E ter-te amanhã como hoje

Em perfume, em voz e em desejo

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Sexta-feira

Se pudesse dizia-te um segredo

Chegava perto do pescoço

Mergulhava lentamente no teu perfume

Tocava os cabelos

E para te ter mais perto pegava-te na mão

Rodavas sobre mim

Sentíamos a respiração tocar-nos

A boca junto da tua orelha

E tu em mim

Curiosa, atenta e disponível

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Tu poema

Cresceste em verso

Fizeste-te poema

E levaram-te

Primeiro num ditado

Fizeste a noite de uma só voz

Foste aplaudida e querida

Levaram-te de novo

Recitaram-te

Foste na força dos braços

Levada ao alto da voz que te disse

E de novo te levaram

E numa canção agora és repetida

Ouvida, cantada e tantas vezes enganada

Fiz-te numa noite em verso

Eras tu no meu abraço

E eu sonhava em te encontrar

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Não sabes

Adoro a tua mão em mim

Não sabes

Adoro a tua voz ousada no meu silêncio

O teu olhar a pintar o meu dia

A razão da tua força no meu sonho

E as palavras que repito nas minhas conversas

Adoro quando sabes e me ensinas

Não sabes

Adoro o vires tarde e o não vires

Adoro a vontade que tarda em passar

E aquela estranha parte do saber que

Não sabes

E que adoro

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Hoje?

Toma de mim está água em forma de beijo

Para que possas saciar o teu corpo em forma de sangue

Não sei bem se serei fonte ou rio

Ou simplesmente chuva

Mas dou-te bom grado o que precisas

Para te esconder do olhar o que desejo
Como me deste esse beijo

Que cobriu a boca em chama de desejo

Posso mergulhar em sonhos no teu olhar

E prender-me às tuas mãos

Se te chamar ao escuro de um segredo
Descobriste o fogo do meu pescoço

E vens com o sopro apagar?

Murmuraste o mar ao meu ouvido?

Foi um sonho foi desejo

Não sei que palavras me colaste à pele

Desprendeste o vestido do meu sorriso
Vem comigo viver um sonho

Eu escrevo, tu sorris e nós sonhamos
Eu sonho, tu sorris e nós escrevemos
Eu sonho que te escrevo e tu sorris
Hoje

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Silêncio

Tantas vezes a tua boca se calou diante de nós

Dos nossos violentos desencontros de certezas

Em que nenhum de nós sabia para onde caminhar

E os teus olhos se fechavam diante das mãos cheias

Que se debatiam contra os objectos demasiado frágeis

E a raiz da raiva saía do pescoço

E era aquela imensidão de silêncio

Aquele vazio que enchia a sala de eco

Um eco fumarento de pó de palavras cuspidas

E que transformava todas as certezas

Numa vontade imensa de nada saber

E tão bem que me sabias levar ao desconhecimento

E me soubeste em silêncio descobrir sem ti

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