Não sabes

Adoro a tua mão em mim

Não sabes

Adoro a tua voz ousada no meu silêncio

O teu olhar a pintar o meu dia

A razão da tua força no meu sonho

E as palavras que repito nas minhas conversas

Adoro quando sabes e me ensinas

Não sabes

Adoro o vires tarde e o não vires

Adoro a vontade que tarda em passar

E aquela estranha parte do saber que

Não sabes

E que adoro

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Hoje?

Toma de mim está água em forma de beijo

Para que possas saciar o teu corpo em forma de sangue

Não sei bem se serei fonte ou rio

Ou simplesmente chuva

Mas dou-te bom grado o que precisas

Para te esconder do olhar o que desejo
Como me deste esse beijo

Que cobriu a boca em chama de desejo

Posso mergulhar em sonhos no teu olhar

E prender-me às tuas mãos

Se te chamar ao escuro de um segredo
Descobriste o fogo do meu pescoço

E vens com o sopro apagar?

Murmuraste o mar ao meu ouvido?

Foi um sonho foi desejo

Não sei que palavras me colaste à pele

Desprendeste o vestido do meu sorriso
Vem comigo viver um sonho

Eu escrevo, tu sorris e nós sonhamos
Eu sonho, tu sorris e nós escrevemos
Eu sonho que te escrevo e tu sorris
Hoje

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Silêncio

Tantas vezes a tua boca se calou diante de nós

Dos nossos violentos desencontros de certezas

Em que nenhum de nós sabia para onde caminhar

E os teus olhos se fechavam diante das mãos cheias

Que se debatiam contra os objectos demasiado frágeis

E a raiz da raiva saía do pescoço

E era aquela imensidão de silêncio

Aquele vazio que enchia a sala de eco

Um eco fumarento de pó de palavras cuspidas

E que transformava todas as certezas

Numa vontade imensa de nada saber

E tão bem que me sabias levar ao desconhecimento

E me soubeste em silêncio descobrir sem ti

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Alegria

No meu aniversário

Pedi para te ligarem

Para saberes como estava feliz

Como não haveria outro dia assim

A exuberância da minha alegria

Não se representava em cores

Não se argumentava em flores

Escrevia-se no meu riso completo

Não atendeste
Ainda não atendeste e já pedi para te ligarem de novo

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Corredor

Desculpa é um imenso corredor

E não posso caminhá-lo sozinho

Dá-me a tua mão

Um pouco das tuas razões e certezas

Dá-me o malvado tempo que nos foge

Eu dou-te a mão

A verdade em palavras e olhares

E parte dos passos que já percorri

Vem comigo até ao fim

Eu volto ao princípio de nós

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De novo a noite

Um choro que se fez voz

Cantou-me esta noite na pele

E mostrou-me no sonho o teu olhar

Desenhou-te de novo diante de mim

E antes que pudesse falar

Viraste costas e disseste-me adeus

E vi de novo a nossa despedida

Desta vez de ti

Desta vez em mim

O choro que te ouvi ter

Angústia, surpresa, ódio e raiva

Pele, olhar, boca e mãos

A cadência certa do gesto adjectivo

Ontem tu, hoje eu

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Descoberto

Sabes quando um olhar

Chega discreto e em silêncio

Te rasga a pele

E descobre-te o sangue de segredos que escondes

Arranca-te uma por uma

A fímbria fina de folhas formais

E te expõe sujo de verdades e medos

Sabes quando um toque

Te agita dos sonhos de verdades onde te fizeste

Te arranha a camada de roupa

De aceitação, simpatia e humildade

Expurga os pelos de pó de saberes

Que não são teus mas onde te encostaste

Sabes

Descobres

Quando me abraço a ti em silêncio

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