Corredor

Desculpa é um imenso corredor

E não posso caminhá-lo sozinho

Dá-me a tua mão

Um pouco das tuas razões e certezas

Dá-me o malvado tempo que nos foge

Eu dou-te a mão

A verdade em palavras e olhares

E parte dos passos que já percorri

Vem comigo até ao fim

Eu volto ao princípio de nós

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De novo a noite

Um choro que se fez voz

Cantou-me esta noite na pele

E mostrou-me no sonho o teu olhar

Desenhou-te de novo diante de mim

E antes que pudesse falar

Viraste costas e disseste-me adeus

E vi de novo a nossa despedida

Desta vez de ti

Desta vez em mim

O choro que te ouvi ter

Angústia, surpresa, ódio e raiva

Pele, olhar, boca e mãos

A cadência certa do gesto adjectivo

Ontem tu, hoje eu

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Descoberto

Sabes quando um olhar

Chega discreto e em silêncio

Te rasga a pele

E descobre-te o sangue de segredos que escondes

Arranca-te uma por uma

A fímbria fina de folhas formais

E te expõe sujo de verdades e medos

Sabes quando um toque

Te agita dos sonhos de verdades onde te fizeste

Te arranha a camada de roupa

De aceitação, simpatia e humildade

Expurga os pelos de pó de saberes

Que não são teus mas onde te encostaste

Sabes

Descobres

Quando me abraço a ti em silêncio

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O espaço, o tempo e o olhar

Três peças de uma só composição

Interpretado por um estranho maestro

Que raramente junta as notas certas da nossa melodia

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No teu tempo

O meu olhar chamou-te hoje

Sem querer
Parou em ti e sem saber como

Disse o teu nome na forma única do seu silêncio

Quando percebi

Já o teu olhar intrigado

Tentava perceber o que queria o meu

E eu

Escondi-me atrás daquela capa discreta

De pele vermelha e calor intenso

Resolvi disfarçar com o meu sorriso tímido

E o teu olhar sincero

Fechou

E foi na tua boca que descobri o sorriso

E esta boca que lhe dá para imitar

Sorriu

E eu que nem sabia bem que estavas aí

Resolvi balbuciar olá

Para perceberes que alguém ainda manda na voz

O que se falou ou disse não sei

Até agora estou perdido naquele ponteiro das horas

Que de repente tomou vida própria

E baralhado com todos os momentos que tivemos

Resolveu repetir o teu nome

E até agora

Ao fim deste tempo

Saltam-se horas e minutos

E desenrolam-se tempos

Vestidos de pele, olhares, beijos e segredos

Não sei do tempo

Mas sei de ti

Aqui

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Tempestade

Desculpa

Acordaste quando tinha acabado de anoitecer

E nem dei tempo para te aperceberes

Fechei o céu

E transformei cada minuto numa nuvem carregada

Chovi e trovejei até à exaustão de qualquer chão

E consegui inundar-te o dia

Mas nem sempre amanheço

Sol

E nem sempre me esperas à noite

Lua

Hoje chovi

E reconheço que nem sempre a terra está pronta para se molhar

Vamos esperar a previsão do nosso olhar

Para saber como amanhecerá

Terra, sol, lua ou chuva

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Equilíbrio

Dou a mão a uma palavra tua

E outra seguro um pensamento

Estendo um passo grande

E encontro o teu olhar

Estendo outro passo maior

E segredo-te ao ouvido a frase certa do teu sorriso

Num passo maior abraço o teu pescoço

Solto o pensamento

E seguro-me ao teu desejo

Largo as palavras

E aponto ao futuro

Nos teus pés vejo o reflexo de uma estrada

Estendo mais uma vez um passo

E desta vez, em silêncio

Seguro contigo

A vontade de caminhar

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