No teu tempo

O meu olhar chamou-te hoje

Sem querer
Parou em ti e sem saber como

Disse o teu nome na forma única do seu silêncio

Quando percebi

Já o teu olhar intrigado

Tentava perceber o que queria o meu

E eu

Escondi-me atrás daquela capa discreta

De pele vermelha e calor intenso

Resolvi disfarçar com o meu sorriso tímido

E o teu olhar sincero

Fechou

E foi na tua boca que descobri o sorriso

E esta boca que lhe dá para imitar

Sorriu

E eu que nem sabia bem que estavas aí

Resolvi balbuciar olá

Para perceberes que alguém ainda manda na voz

O que se falou ou disse não sei

Até agora estou perdido naquele ponteiro das horas

Que de repente tomou vida própria

E baralhado com todos os momentos que tivemos

Resolveu repetir o teu nome

E até agora

Ao fim deste tempo

Saltam-se horas e minutos

E desenrolam-se tempos

Vestidos de pele, olhares, beijos e segredos

Não sei do tempo

Mas sei de ti

Aqui

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Tempestade

Desculpa

Acordaste quando tinha acabado de anoitecer

E nem dei tempo para te aperceberes

Fechei o céu

E transformei cada minuto numa nuvem carregada

Chovi e trovejei até à exaustão de qualquer chão

E consegui inundar-te o dia

Mas nem sempre amanheço

Sol

E nem sempre me esperas à noite

Lua

Hoje chovi

E reconheço que nem sempre a terra está pronta para se molhar

Vamos esperar a previsão do nosso olhar

Para saber como amanhecerá

Terra, sol, lua ou chuva

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Equilíbrio

Dou a mão a uma palavra tua

E outra seguro um pensamento

Estendo um passo grande

E encontro o teu olhar

Estendo outro passo maior

E segredo-te ao ouvido a frase certa do teu sorriso

Num passo maior abraço o teu pescoço

Solto o pensamento

E seguro-me ao teu desejo

Largo as palavras

E aponto ao futuro

Nos teus pés vejo o reflexo de uma estrada

Estendo mais uma vez um passo

E desta vez, em silêncio

Seguro contigo

A vontade de caminhar

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Bom dia

Vamos começar do avesso

Tu dizes bom dia e eu dou-te um beijo

Pegas nas palavras e desdobras em poesia

E eu apaixono-me por ti

Depois escreves-me uma memória infantil

Um sonho distraído que te fez chegar a mim

E eu sorrio envergonhado

E num ligeiro corar

Penso que nos encontrámos ainda agora na noite

E que as minhas mãos não sabiam como não te tocar

E do avesso ainda

Volto ao sonho onde me viste

E digo bom dia e tu dás-me um beijo

E eu já não escrevo mais nada

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Tu e eu

A tua voz

O teu sorriso

O teu imenso olhar

E o cheiro

A pele

As sardas e os sinais

As cores

E todas as palavras

As que falas

Sentes

Impões

E as que escondes no olhar

As razões e incertezas

As dúvidas que me dás

Para que desembrulhe e arrume

Te devolva em sumo

E elimine a escuridão

Os teus passos

Os caminhos

O tempo e as horas
A força 

A saudade

O sonho

O desejo
Tu e eu

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Pedaços de tempo

Rasgo os meses

Em pequenos pedaços que guardo na mão

No fim do ano

Quando o tempo permite

Vejo as sobras dos que se deixaram ficar

E guardo num saco que guardo num bolso

De vez em quando

Alguém me traz um pedaço

Que deixei cair no caminho

Sujo de esquecimentos e pedaços de outros que se misturam

Descubro de vez em quando

A cor o som ou aquelas partes que a pele me traz

Outras vezes

Vem agarrada tão forte a memória

Que guardo o pedaço num novo saco

Num outro bolso

Num outro sítio

Até um dia

Quanto mais rasgo

Mais pequenos os pedaços

Mais difícil fica encontrar os pedaços e os bolsos

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Cada vez mais

Gosto cada vez mais

Da noite

Da lua das pedras da brisa

Da tua boca em mim

Do cheiro do grito

Do escuro e da vontade

De te chamar e te saber

Da verdade nua

E da saudade crua

Da noite e da lua

E de ti

 

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